sexta-feira, 20 de junho de 2014

O erro do Conti não foi confundir o sósia

Durante a Colação de Grau dos formandos de 2012 da Fapcom, a oradora da turma de Jornalismo, salvo engano, a colega Priscila Gatto, dirigiu-se ao púlpito e, de lá, discursou um belíssimo texto onde, entre outros pontos, discorria sobre a decisão de um indivíduo em se tornar Jornalista. Não me lembro as palavras, ou os termos utilizados, mas era algo como:

"Gostaria de fazer administração, para ser bem sucedido financeiramente, mas não sou boa com cálculos e planilhas. Decidi, então, ser médica, mas para poder fazer o bem e salvar as pessoas, mas a falta de habilidade com questões biológicas me impediu. Poderia também ser professora de educação física, devido a minha paixão por esportes, no entanto..."

E, assim, seguiu citando uma série de profissões, do mais alto escalão das profissões, e numerando motivos pelos quais não decidiu seguir por tais caminhos. Por fim, explica, então, o porquê decidiu tornar-se jornalista: o fato de poder trabalhar, viver e conhecer todas as áreas citadas anteriormente.

De fato, o jornalista é um profissional polivalente. Identifiquei-me muito com aquele discurso, exatamente, em função da diversidade editorial possível, a qual a colega jornalista citou. Arrisco-me analisar, discutir, citar, discordar sobre variados temas. No entanto, para tal, estudo os mais variados temas. Arriscar-se em mares onde não se conhece a maré é lançar-se ao naufrágio. Você pode até, com sorte, cruzá-lo, mas o risco é iminente.

O premiado jornalista Mario Sérgio Conti lançou-se no desconhecido mar do jornalismo esportivo. Arriscou falar sobre o que não conhecia e cometeu uma "barriga" que será lembrada por muito tempo. Se fosse em qualquer outro momento, passaria por um escorregão. "Ossos do ofício", diriam. Mas, em função de ter feito isso em plena Copa do Mundo, disputada em solo brasileiro, com a Seleção isolada em sua concentração, sua audácia lhe renderá a memória de tal absurdo. Ora, se vives em outro mundo, fale-me dele, por favor.

A sensação, neste caso, é que, de tão banal quanto parece, o futebol, o jornalismo esportivo e o bolo de fubá podem ser feitos por qualquer um. Não, meus caros. O jornalismo esportivo não é uma cobertura de segunda classe. Não é menos dificultoso que a cobertura política ou a econômica. Não é menos interessante que a cobertura cultural, ou menos complexo que o jornalismo científico.

Cada área do jornalismo possui suas dificuldades, suas barreiras e suas satisfações. É necessário estudo; comprometimento. Quando comecei a estudar jornalismo, a pergunta que mais ouvi era: "Vai ser jornalista esportivo?" Minha resposta sempre foi que não pretendia seguir por essa área. Justifica-se isso, não por demérito da editoria, mas pela minha paixão e parcialidade quando o assunto é o Corinthians. Essa resposta só é justificável pelo meu respeito aos profissionais do jornalismo esportivo. E é por isso que a "barriga" do Conti não pode ser tratada como um simples equivoco.