quarta-feira, 9 de abril de 2014

Beijinho no ombro pro recalque de plantão



A Academia é extremamente conservadora e sentiu-se ofendida por um professor defini-la como "grande pensadora contemporânea". Ora, vejamos o o que está por trás da questão:

Hoje há um grande debate nas diversas mídias sobre esse assunto. Debate esse que, segundo o professor responsável pela prova, foi iniciado ainda em sala de aula, onde foi discutida a atuação da imprensa e o papel dela na sociedade. Pergunto: isso não é assunto a ser tratado em um curso de Filosofia? Por que é necessário que a Filosofia seja tratada, ainda, como reprodução de pensamentos milenares? Por que não podemos pensar sobre nossa atualidade segundo as vozes de nosso cotidiano? Os porteiros, os médicos, os balconistas das padarias, os advogados, os cobradores, os engenheiros - ah, e sim, e as porteiras, as médicas, as balconistas das padarias, as advogadas, as cobradoras, as engenheiras -, etc. Todos somos seres pensantes, e, como tal, somos possuidores da capacidade de adquirirmos conhecimento segundo nosso dia-a-dia; segundo nossas experiências.

Talvez, na atualidade, as músicas que mais tratam e discutem a realidade da sociedade brasileira são o Rap e Funk. Esses dois estilos musicais, marginalizados anos atrás, hoje, cada vez mais, estão atingindo as mais diversas classes econômicas. São aliás, o retrato da MPB, que outrora era composta por artistas como Chico Buarque, Ivan Lins, Oswaldo Montenegro, etc. Sim a "Música Popular Brasileira" hoje é o Funk; é o Rap. É também o Forró, o Sertanejo, o Samba. (Os conservadores de plantão podem ficar com urticárias ao ler isso, mas essa é a Música Popular Brasileira, pelo menos na atualidade.)

Ainda que a proposta incutida na questão "segundo a grade pensadora contemporânea, Valesca Popozuda, se bater de frente:" seja provocar a mídia e discutir os conceitos de noticiabilidade da imprensa, levar à prova um trecho da música da funkeira não é nenhum absurdo se pensarmos na repercussão que o lançamento da música teve na própria mídia nacional.

A hipocrisia e o conservadorismo da sociedade foram estampados, nas diversas mídias, nesta semana, em função de uma questão de prova de filosofia de uma escola pública de uma cidade satélite de Brasilia. Parabéns ao professor que, de maneira sagaz, conseguiu muito mais audiência do que a que queria para a exposição de fotografias de seus alunos e ainda convidou o país a pensar a imprensa, a educação e a cultura nacional. No melhor estilo Valesca Popozuda, mandou um #BeijinhoNoOmbro pro recalque da sociedade brasileira.

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